Pular para o conteúdo principal

MÊS DE MAIO: Mês de Maria no Coité, nos anos áureos da professora Maria Stella



Por: Dra. Rosa Maria Maranhão de Lacerda

MÊS DE MAIO NO COITÉ, NOS ÁUREOS ANOS DA PROFA. MARIA STELLA MARANHÃO, de quem sou filha com muita honra e extrema felicidade.


Pequeno histórico de mamãe: Ela estudou interna no famoso Colégio Imaculada Conceição, em Fortaleza – CE, onde participava do movimento “Filhas de Maria” e também fora catequista.  Após concluir o Curso Normal, que habilitava ao exercício do magistério, de volta ao Coité, sua terra Natal, como professora, funda a Escola Nossa Senhora de Fátima e, como catequista, torna lindo o mês de maio.


Antes, porém, desde o início do século passado se rezavam todos os dias os Exercícios Marianos, que se iniciavam no dia 30 de abril, à véspera do mês de maio. Neste dia, havia o compromisso da comunidade com Nossa Senhora, cantando um hino que dizia assim:

 “Vos peço ó, Virgem Santíssima, que não deixais um só dia sem que vos renda homenagem no vosso mês, ó, Maria".

Como também a “Invenção da Santa Cruz”, realizada no dia 03, (devoção essa fundada de Santa Helena), aos pés do cruzeiro defronte a capela, no patamar. Enfeitava-se todo o cruzeiro com flores, de preferência eram pendoes de cana, flores da canafístula, rosas do mês de maio (conhecidas por cravo de defunto) e etc. Como não tinha luz elétrica para iluminá-lo na época do início da devoção, fazia-se um suporte de madeira rodeando-o e colocavam-se umas candeias feitas de barro com pavios de algodão. Colocava-se azeite de mamona e convidava meninos para, com dois pauzinhos, não deixar o pavio cair todo no azeite, o que era muito prazeroso. Pra dita criança convidada a tal fim, era uma honra extrema. Rezavam-se as orações apropriadas e entoavam-se vários hinos. Ainda perdura, com candeias feitas de lata de sardinha, da mesma maneira de antigamente, exceto esse ano. E encerra o ditoso mês no dia 31 com uma singela coroação de Nossa Senhora da Conceição, a padroeira.




Com a chegada de minha mãe - como professora e catequista - na escola, durante todo o mês de maio, os alunos se concentravam na calçada da mesma e entravam em filas cantando um hino a Nossa Senhora, onde havia uma estrofe que dizia:

“Oh, belo mês, mês de Maria, alegre estou por teu chegar, que poderei vir cada dia, minha Mãe do céu exaltar". 



Adentrando a classe, se rezava antes e depois da aula e havia sorteios de uns bilhetes, constando umas ações boas (para cada aluno, geralmente eram todos crianças, pois eram séries iniciais), por exemplo: 
“Colocar flores hoje na Igreja, por amor a Nossa Senhora”; “Não comer doce hoje, por amor a Nossa Senhora”; “Ajudar em cassa hoje, por amor a Nossa Senhora”; “Fazer uma caridade hoje, por amor a Nossa Senhora”; “Não comer milho assado hoje, por amor a Nossa Senhora” e etc. Eram umas pequenas mortificações, mas tão prazerosas que nem eram tomadas por tal. 


As aulas terminavam um pouco antes do horário. Iam todos à Igreja para o ensaio da coroação. Separavam-se as crianças que iam ser anjos, as crianças que iam participar do “ramalhete”, as que participavam do dito ramalhete eram todas vestidas de branco; saiam da porta principal da capela em direção ao altar e cantavam um hino, oferendo flores a Nossa Senhora, de par em par, (duas crianças de cada vez).

Iniciavam assim:

“Queremos a Maria / flores oferecer / Aceitai, oh, Virgem pia,/o nosso bom querer.” Estribilho: “Mãe de nosso amor, / recebe a flor,/ ó digna de Maria / faze que no Céu /  possamos sem véu / te contemplar um dia,/ cantar com alegria / o teu louvor / o teu amor, / em celeste harmonia".


E cada par cantava um versinho. Em 1966, então pároco Pe. Argemiro fundava a Cruzadinha Eucarística de Cristo, ficando o citado ramalhete ao critério delas. Era lindo! (Hoje extintos). Ao saber que a coroação de Nossa Senhora da Conceição, no Coité, era linda, o então pároco Pe. Macedo se convidou a assisti-la, e, por isso, a coroação passou a ser no último domingo de maio. Era encantadora!






Mainha fundou também a peregrinação de Nossa Senhora aos lares coiteenses. A princípio era somente duas imagens, pois, no Coité, tinha poucas casas. Eram Nossa Senhora de Fátima e Nossa senhora Aparecida. Depois o Coité foi crescendo e acrescentando na peregrinação mais imagens, a fim de ser visitada por ela todas os lares coiteenses que  desejassem recebê-la. Na casa onde era recebida, passava-se a noite toda cantando e rezando com a imagem, era um fervor sem igual.


Quando findava a peregrinação no Coité, Nossa Senhora de Fátima seguia para a Extrema. Era uma especial devoção do Sr. Antônio Higino, pai do nosso dileto amigo Higino. Concluída a peregrinação naquela localidade, a imagem retornava ao Coité, em esplêndida, encantadora e emocionante procissão. Os alunos da escola iam fardados e demais pessoas daquela comunidade com muitas homenagens escritas em faixas, cartazes, flores, etc, levando ainda contribuição em dinheiro para a capela do Coité. (Hoje extinta). Nossa senhora Aparecida seguia a comunidade do Mocambo, que retornava também em procissão, porém, mais simples.




Tudo isso que escrevi, participei, vivi com intensidade!

Hoje me resta a saudade...




PASTORAL DA COMUNICAÇÃO - PASCOM

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A paróquia de Mauriti: como tudo começou?

"Sob o manto azulado da Virgem que a envolve em divino esplendor, vive a nossa paróquia querida para o bem, para a luz, para o amor" Trecho do hino da paróquia Nossa Senhora da Conceição Há uma frase de São Bernardo de Claraval dizendo que nunca se ouviu dizer que algum daqueles que tenham recorrido à proteção de Nossa Senhora, implorado sua assistência e reclamado o vosso socorro, fosse por Ela desamparado.  A paróquia Nossa Senhora da Conceição, em Mauriti, é criada em meio a esse poderoso patrocínio da Virgem Imaculada, que ouviu as súplicas do Capitão Miguel Dantas, responsável pela construção da capela que, tempos depois, tornara-se paróquia e, posteriormente, o povoado Buriti Grande, hoje, a cidade de Mauriti.  Leia a história completa:  Em meados do século XIX, o Capitão Miguel Gonçalves Dantas, tendo sido acometido de cólera , fez um voto à Imaculada Conceição em favor de sua cura. Ouvidas as suas preces e da esposa, curou-se do mal que lh...

Por que, na Quaresma, cobrem-se as imagens sacras com um pano roxo?

"Antes das Vésperas, cobrem-se as Cruzes e imagens sacras existentes na igreja. As Cruzes permanecem cobertas até ao fim da adoração da Cruz, na Sexta-Feira Santa, e as Imagens até o Hino dos Anjos (Glória a Deus nas Alturas), no Sábado Santo”. Durante toda a Quaresma, a Igreja se veste de roxo, cor que simboliza a tristeza, dor e penitência. No quinto domingo da quaresma, as imagens sacras são cobertas, pois se anuncia que a Paixão do Senhor se aproxima. O costume de cobrir as imagens na Igreja é antiquíssimo, fazendo referência ao luto pelo sofrimento de Nosso Senhor Jesus Cristo, que permite aos fiéis contemplar as imagens sacras cobertas e adentrar em uma reflexão profunda do mistério da Paixão do Senhor. São João relata que  “os judeus pegaram, pela segunda vez, em pedras para o apedrejar. Disse-lhes Jesus: Tenho-vos mostrado muitas obras boas da parte de meu Pai. Por qual dessas obras me apedrejais? (...). Procuraram então prendê-lo, mas ele se esquivou das suas...

Em Mauriti (CE), fiéis se reúnem para Missa em sufrágio da alma de Maria Filomena de Lacerda

Assassinato completa 50 anos em 2025 Na manhã deste 16° domingo do Tempo Comum, a comunidade paroquial de Mauriti (CE) e região realizou mais uma experiência de peregrinação ao local do homicídio de Maria Filomena de Lacerda, mulher mauritiense assassinada há 50 anos pelo esposo na residência do casal. Uma caminhada orante saiu às 4h da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, no centro da cidade, com destino ao Sítio Pereiros, onde aconteceu a tragédia, culminando com a Santa Missa. "Para muitos, um sinal de desgraça; para nós, um sinal da graça de Deus. Oferecer o que ela tinha de melhor a Deus, como a atitude de Marta, descrita no Evangelho de hoje (Lc 10, 38-42). Foi isso o que Filomena fez: ofereceu a Deus o que ela tinha de melhor",  assim iniciou sua homilia o Padre Admo de Sousa, Vigário Paroquial, trazendo à lembrança o testemunho de Filomena, uma mulher de oração, caridade e doação ao Reino de Deus.   Essas características ex...